quinta-feira, 8 de março de 2012

A imprensa de Alagoas: morador de rua e violência. Outubro, 2011.


SOUZA, NATÁLIA. PRESO. Morador de rua confessa assassinato. MARCOS ANDRÉ TERIA MATADO A PEDRADAS OUTRO SEM TETO, SÁBADO PASSADO, NO STELLA MARIS. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 07 out. 2011, p. 17
                
O morador de rua e guardador de carro Marcos André Silva Oliveira, 19, foi preso na madrugada de ontem por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital, localizada no bairro do Poço. Marcos André é assassino confesso de outro morador de rua, Wanderson da Silva, 20, morto a pedradas no sábado passado.
Há dias investigando Marcos André, somente ontem os agen­tes conseguiram о novo paradeiro do morador de rua. "Desde о início da investigação já tínhamos identificado ele através de um apelido. Ele é conhecido também como 'Zoinho'", disse. "A gente sabia onde ele trabalhava como guardador de carro, próxi­mo ao Stella Maris, mas nos últimos dias ele tinha passado a noite em outros locais para se esconder", disse Denilson Ferreira, chefe de operações da delegacia.
Na tarde de ontem, Marcos André foi levado ao Instituto Mé­dico Legal para realizar exame de согро е delito.
Ao chegar a Delegacia de Ho­micídios, о acusado confessou a autoria do assassinato e contou sobre a motivação do crime. "Ele tinha roubado uma blusa minha e quando eu fui cobrar ele ameaçou me matar", contou о mora­dor de rua, afirmando ter matado Wanderson a pedradas.
Denilson Ferreira, afirmou ainda que Marcos estava alcoolizado no momento da prisão. "Quan­do os crimes não têm características de execução, as motivações geralmente são por motivos banais, brigas por território, drogas, pequenos furtos entre eles", afirmou.
O morador de rua foi ouvido ontem mesmo pela delegada Sheila Carvalho, titular da Dele­gacia de Homicídios. Hoje, ele se­rá encaminhado a Casa de Custódia onde deve permanecer durante a conclusão do inquérito.

Marcos Silva Afirmou que vítima o teria ameaçado após briga



ALMEIDA, Fátima. Mais um morador de rua é assassinado. VÍTIMA RECEBEU SEIS TIROS À QUEIMA-ROUPA. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 18 out. 2001, p. 16

Mais um morador de rua foi as­sassinado em Maceió. Na tarde do domingo (16), um homem co­nhecido como "Pirata" foi mor­to a tiros em uma das esquinas do cruzamento da Rua Rodrigues Alves com a Agnelo Barbosa, no bairro do Prado. Não há relatos de briga ou de discussão antes do assassinato. Há informações repassadas à polícia de que dois homens numa moto pararam no local, dispararam seis tiros con­tra a vítima e fugiram.

O morador Alexandre Montei­ro diz que chegou ao local logo após os disparos, mas não ha­via nem sinal dos atiradores. “Fui até a porta e vi que estava se formando um aglomerado na es­quina. Vim até aqui e vi que ti­nha um homem morto. A polí­cia já estava chegando no local", diz ele, apontando o exato lo­cal onde "Pirata" foi assassinado, na calçada da esquina onde está sendo edificada uma construção.

Nas imediações, ninguém pa­rece conhecer a vítima. "Acho que ele estava de passagem, por­que nunca tinha visto ele por aqui", diz Monteiro.

Os primeiros levantamentos foram feitos por militares do 1° Batalhão, que estiveram no lo­cal. O corpo foi recolhido ao Ins­tituto Médico Legal (IML), onde permanecia até o final da manhã de ontem. Informações no IML indicavam que uma pessoa ha­via se apresentado como mãe do homem assassinado e, inclusive, teria feito o reconhecimento do corpo, porém, não tinha consi­go nenhum documento que possibilitasse a liberação. "Estamos esperando ela retomar com a do­cumentação, para poder ser re­gistrado o óbito e liberar o cor­po", disse um funcionário.

ESTATÍSTICAS

Segundo a contagem que vem sendo feita pela imprensa, este é o l9° morador de rua morto em Maceió este ano. O 18° foi conta­bilizado no início do mês.

De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Huma­nos da Ordem dos Advogados do Brasil de Alagoas (OAB/AL), Gil­berto Irineu, até agora só há informações - passadas pela Polí­cia Civil à entidade - da elucida­ção de três desses crimes.

"Estamos apreensivos. O re­tardo nas investigações e na elu­cidação dessas mortes faz com que os Índices aumentem, por­que a impunidade favorece o cri­me", diz ele, informando que no dia 17 de julho, quando aconte­ceu o 12° caso de morte envol­vendo moradores de rua ou pes­soas em situação de rua, enca­minhou ofício à Procuradoria Ge­ral de Justiça, sugerindo a desig­nação de um promotor especial para atuar em todos esses casos, acompanhando se os inquéritos foram instaurados em tempo há­bil e o andamento desses proces­sos, mas não recebeu resposta.


ROSA, Láyra Santa. Polícia registra 19° assassinato de morador de rua em Maceió. Rogério de Andrade Araújo, 26 anos, trabalhava como catador de latinhas.O JORNAL. Maceió, 18 out. 2011, p. 12


A Polícia Civil registrou mais um assassinato de mora­dor de rua em Maceió. De acor­do com informações da Ordem dos Advogados do Brasil, sec­cional Alagoas (OAB-AL), Rogério de Andrade Araújo, o 'Pirata', de 26 anos, é o 19º mo­rador de rua apenas este ano. O crime aconteceu entre os cru­zamentos das Ruas Agnelo Barbosa e Rodrigues Alves, no bairro do Prado, na tarde do último domingo.

Segundo informações do Centro Integrado de Defesa Social (CIODS) o morador de rua trabalhava como catador de latinhas para reciclagem próximo à linha do trem, quando dois homens numa motoci­cleta se aproximaram e deram seis disparos de arma de fogo. A placa da moto não foi anota­da e os criminosos rugiram.

Até o final da manhã de ontem, o corpo de Rogério de Andrade continuava no Instituto Médico Legal (IML), aguardando a família para libe­ração. Funcionários do órgão informaram que a mãe da víti­ma esteve no local, porém, como não tinha documentação, não conseguiu autorização para enterrar o filho. A família mora na cidade de Rio Largo e teria tentado várias vezes tirá-lo da rua. Como Rogério tinha envolvimento com drogas, não quis voltar para casa.

O assassinato será investiga­do pelo delegado Alcides Andrade, titular da Delegacia do 1º Distrito Policial. "Vamos esperar que a polícia dê uma resposta sobre mais esse crime, chegando à prisão dos autores. Já foram dezenove assassina­tos só este ano, com apenas quatro homicídios esclarecidos. E um número pequeno, que fortalece a impunidade", disse o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AL, Gilberto Irineu.

No último mês de julho, a comissão encaminhou um rela­tório sobre os assassinatos de moradores de rua para o procurador-Geral de Justiça, Eduardo Tavares. O documento solici­tava que o Ministério Publico Estadual cobre ações mais in­cisivas da Defesa Social o uma integração maior entre os ór­gãos da Segurança Pública.

"Estamos preocupados com esse número de assassinatos e fa­zendo a nossa parte com cobran­ças. É preciso uma união de for­ças, para que essa situação dimi­nua. Queremos que o Ministério Público designe um promotor para acompanhar as investiga­ções e como está o andamento dos inquéritos", afirmou Irineu.

IMPUNIDADE - Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos existem dois fatores que levam a essa crescente no número de homicídios de moradores de rua. "A im­punidade que acontece, pela demora na conclusão dos in­quéritos, tem fortalecido os cri­minosos, que continuam ma­tando. Fora isso, ainda existem problemas sociais, onde são ne­cessárias ações mais constan­tes, para tirar e dar condições a essas pessoas que estão nas ruas", falou o advogado.

Ainda este ano, foi elabora­do um Plano Bienal com atividades e metas para serem exe­cutadas pelo município de Maceió, voltados para a assis­tência social. "Se não for feito nada urgente, chegaremos ao final de dezembro com um número de moradores de rua mortos maior que o ano pas­sado, onde foram registrados trinta e dois casos. Um núme­ro absurdo", disse Irineu.

"Já encaminhamos o plano bienal, com ações de saúde, educação, trabalho e assistên­cia social, para serem executados. É preciso agora boa von­tade por parte do poder públi­co, para que essa situação mude. É um trabalho que deve ser feito em conjunto", concluiu o advogado.





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