SOUZA, NATÁLIA. PRESO. Morador de rua confessa assassinato. MARCOS ANDRÉ TERIA MATADO A PEDRADAS OUTRO SEM TETO, SÁBADO PASSADO, NO STELLA MARIS. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 07 out. 2011, p. 17
O morador de rua e guardador de carro Marcos André Silva Oliveira, 19, foi preso na madrugada de ontem por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital, localizada no bairro do Poço. Marcos André é assassino confesso de outro morador de rua, Wanderson da Silva, 20, morto a pedradas no sábado passado.
Há dias investigando Marcos André, somente ontem os agentes conseguiram о novo paradeiro do morador de rua. "Desde о início da investigação já tínhamos identificado ele através de um apelido. Ele é conhecido também como 'Zoinho'", disse. "A gente sabia onde ele trabalhava como guardador de carro, próximo ao Stella Maris, mas nos últimos dias ele tinha passado a noite em outros locais para se esconder", disse Denilson Ferreira, chefe de operações da delegacia.
Na tarde de ontem, Marcos André foi levado ao Instituto Médico Legal para realizar exame de согро е delito.
Ao chegar a Delegacia de Homicídios, о acusado confessou a autoria do assassinato e contou sobre a motivação do crime. "Ele tinha roubado uma blusa minha e quando eu fui cobrar ele ameaçou me matar", contou о morador de rua, afirmando ter matado Wanderson a pedradas.
Denilson Ferreira, afirmou ainda que Marcos estava alcoolizado no momento da prisão. "Quando os crimes não têm características de execução, as motivações geralmente são por motivos banais, brigas por território, drogas, pequenos furtos entre eles", afirmou.
O morador de rua foi ouvido ontem mesmo pela delegada Sheila Carvalho, titular da Delegacia de Homicídios. Hoje, ele será encaminhado a Casa de Custódia onde deve permanecer durante a conclusão do inquérito.
| Marcos Silva Afirmou que vítima o teria ameaçado após briga |
ALMEIDA, Fátima. Mais um morador de rua é assassinado. VÍTIMA RECEBEU SEIS TIROS À QUEIMA-ROUPA. GAZETA DE ALAGOAS. Maceió, 18 out. 2001, p. 16
Mais um morador de rua foi assassinado em Maceió. Na tarde do domingo (16), um homem conhecido como "Pirata" foi morto a tiros em uma das esquinas do cruzamento da Rua Rodrigues Alves com a Agnelo Barbosa, no bairro do Prado. Não há relatos de briga ou de discussão antes do assassinato. Há informações repassadas à polícia de que dois homens numa moto pararam no local, dispararam seis tiros contra a vítima e fugiram.
O morador Alexandre Monteiro diz que chegou ao local logo após os disparos, mas não havia nem sinal dos atiradores. “Fui até a porta e vi que estava se formando um aglomerado na esquina. Vim até aqui e vi que tinha um homem morto. A polícia já estava chegando no local", diz ele, apontando o exato local onde "Pirata" foi assassinado, na calçada da esquina onde está sendo edificada uma construção.
Nas imediações, ninguém parece conhecer a vítima. "Acho que ele estava de passagem, porque nunca tinha visto ele por aqui", diz Monteiro.
Os primeiros levantamentos foram feitos por militares do 1° Batalhão, que estiveram no local. O corpo foi recolhido ao Instituto Médico Legal (IML), onde permanecia até o final da manhã de ontem. Informações no IML indicavam que uma pessoa havia se apresentado como mãe do homem assassinado e, inclusive, teria feito o reconhecimento do corpo, porém, não tinha consigo nenhum documento que possibilitasse a liberação. "Estamos esperando ela retomar com a documentação, para poder ser registrado o óbito e liberar o corpo", disse um funcionário.
ESTATÍSTICAS
Segundo a contagem que vem sendo feita pela imprensa, este é o l9° morador de rua morto em Maceió este ano. O 18° foi contabilizado no início do mês.
De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil de Alagoas (OAB/AL), Gilberto Irineu, até agora só há informações - passadas pela Polícia Civil à entidade - da elucidação de três desses crimes.
"Estamos apreensivos. O retardo nas investigações e na elucidação dessas mortes faz com que os Índices aumentem, porque a impunidade favorece o crime", diz ele, informando que no dia 17 de julho, quando aconteceu o 12° caso de morte envolvendo moradores de rua ou pessoas em situação de rua, encaminhou ofício à Procuradoria Geral de Justiça, sugerindo a designação de um promotor especial para atuar em todos esses casos, acompanhando se os inquéritos foram instaurados em tempo hábil e o andamento desses processos, mas não recebeu resposta.
ROSA, Láyra Santa. Polícia registra 19° assassinato de morador de rua em Maceió. Rogério de Andrade Araújo, 26 anos, trabalhava como catador de latinhas.O JORNAL. Maceió, 18 out. 2011, p. 12
A Polícia Civil registrou mais um assassinato de morador de rua em Maceió. De acordo com informações da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB-AL), Rogério de Andrade Araújo, o 'Pirata', de 26 anos, é o 19º morador de rua apenas este ano. O crime aconteceu entre os cruzamentos das Ruas Agnelo Barbosa e Rodrigues Alves, no bairro do Prado, na tarde do último domingo.
Segundo informações do Centro Integrado de Defesa Social (CIODS) o morador de rua trabalhava como catador de latinhas para reciclagem próximo à linha do trem, quando dois homens numa motocicleta se aproximaram e deram seis disparos de arma de fogo. A placa da moto não foi anotada e os criminosos rugiram.
Até o final da manhã de ontem, o corpo de Rogério de Andrade continuava no Instituto Médico Legal (IML), aguardando a família para liberação. Funcionários do órgão informaram que a mãe da vítima esteve no local, porém, como não tinha documentação, não conseguiu autorização para enterrar o filho. A família mora na cidade de Rio Largo e teria tentado várias vezes tirá-lo da rua. Como Rogério tinha envolvimento com drogas, não quis voltar para casa.
O assassinato será investigado pelo delegado Alcides Andrade, titular da Delegacia do 1º Distrito Policial. "Vamos esperar que a polícia dê uma resposta sobre mais esse crime, chegando à prisão dos autores. Já foram dezenove assassinatos só este ano, com apenas quatro homicídios esclarecidos. E um número pequeno, que fortalece a impunidade", disse o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AL, Gilberto Irineu.
No último mês de julho, a comissão encaminhou um relatório sobre os assassinatos de moradores de rua para o procurador-Geral de Justiça, Eduardo Tavares. O documento solicitava que o Ministério Publico Estadual cobre ações mais incisivas da Defesa Social o uma integração maior entre os órgãos da Segurança Pública.
"Estamos preocupados com esse número de assassinatos e fazendo a nossa parte com cobranças. É preciso uma união de forças, para que essa situação diminua. Queremos que o Ministério Público designe um promotor para acompanhar as investigações e como está o andamento dos inquéritos", afirmou Irineu.
IMPUNIDADE - Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos existem dois fatores que levam a essa crescente no número de homicídios de moradores de rua. "A impunidade que acontece, pela demora na conclusão dos inquéritos, tem fortalecido os criminosos, que continuam matando. Fora isso, ainda existem problemas sociais, onde são necessárias ações mais constantes, para tirar e dar condições a essas pessoas que estão nas ruas", falou o advogado.
Ainda este ano, foi elaborado um Plano Bienal com atividades e metas para serem executadas pelo município de Maceió, voltados para a assistência social. "Se não for feito nada urgente, chegaremos ao final de dezembro com um número de moradores de rua mortos maior que o ano passado, onde foram registrados trinta e dois casos. Um número absurdo", disse Irineu.
"Já encaminhamos o plano bienal, com ações de saúde, educação, trabalho e assistência social, para serem executados. É preciso agora boa vontade por parte do poder público, para que essa situação mude. É um trabalho que deve ser feito em conjunto", concluiu o advogado.
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